Então… cheguei a Bangalore e rapidamente descobri diversas surpresas. A primeira delas: o motorista enviado pelo hotel trajava um destes uniformes brancos, com um quepe da mesma cor, típico de filmes indianos. Sim, eles existem realmente.
O trajeto até o hotel durou cerca de 45 minutos e rapidamente me fez lembrar a zona norte do Rio ou a periferia de São Paulo. Pobreza por todo lado!
Ao chegar no hotel, outra surpresa: segurança total. Os portões são abertos e, rapidamente, dois guardinhas revistam o porta-malas, enquanto mais dois passam um destes espelhos embaixo do carro. Passada a tal revista, para que eu possa entrar no hotel, as malas passam pelo raio-x, enquanto eu passo pelo detector de metais. Sinistro!
Entro no hotel e sou recebido como rei. Todos os funcionários abaixam a cabeça por onde eu passo e me oferecem os mais variados tipos de servico. “Poxa, me deixem quieto! É uma da madruga e não tô afim de papo com ninguém!", penso eu.
Lá vou eu para o quarto. Claro que vem alguém junto trazendo minha mala de mão. Durante o trajeto, é claro, me oferece uma relaxante massagem tailandesa, caso eu esteja muito tenso. “Não obrigado!”. Entro no quarto e o tal carinha continua a falar e começa a fazer um tour dos aposentos. Muita atenção para o meu gosto.
Acordo de manhã com o buzinaço do lado de fora. Gente para todo o lado. Descubro mais tarde que o problema da buzina é algo cultural. Os caras dirigem mal para caramba (pior que Lima, MUITO pior que Sampa ou Rio) e usam a buzina para tudo. Até quando não precisam.
Chego na Microsoft e lá vem outro “screening” no veículo. Parece que a inteligência indiana está esperando um ataque terrorista e eles estão monitorando tudo.
Terminado o dia de reuniões, saímos para jantar com dois parceiros. Restaurante afegão. “Ai caramba, vai ser complicado…”. Finjo comer uns pedaços de frango assado (frango agora só em 2011) e um arroz estranho, como um pedaço de queijo com gosto de pimenta, passo a “coxinha de cordeiro”, janto uns pedaços de pão sírio. Sobrevivi com a desculpa de que estou com o fuso trocado e não quero arriscar temperos diferentes antes de um vôo longo.
A volta ao aeroporto revela novas surpresas. Vejo coisas que não imaginava ver nunca mais. BIROSCA!!! Tú sabe o que é isso? Biroscas (botecos que vendem de tudo, enfiados em barrados, calçadas, onde der) para todo o lado. Não fosse a língua diferente, as motinhas-táxi de 3 rodas e a cor parda característica dos indianos, isso aqui poderia facilmente se passar por Bangu ou Capão Redondo. Só faltou ver alguém com a camisa do “Framego” ou do “Curíntia”.
Chego no aeroporto. Revista para entrar na área de acesso ao embarque. Revista para entrar na imigração. Revista para sair da imigração. Revista para entrar no portão de embarque. Nunca fui tão revistado em minha vida.
Cá estou eu, escrevendo estas palavras, esperando para o primeiro de 2 vôos de 9 horas até chegar em casa (daqui a exatamente 26 horas). Quem disse que o mundo era pequeno?